Mara Cerqueira
De nada adianta mandar mensagem de felicitações pelo dia das mulheres e não levar em consideração a luta diária dessas mulheres nos outros dias do ano. Foi no ano de 1975, ano internacional da mulher que foi instituída essa data para celebrar as conquistas ao decorrer dos tempos, mas a banalização da data como apenas uma data comemorativa é uma grande armadilha em que as mulheres não podem cair. Na atualidade, com o advento das tecnologias, assistimos à estratificado do significado da data, resumindo-a em um dia em que as mulheres são lembradas de infinidades de formas, menos que a data se trata de dar significado à existência das mulheres como sujeito de direitos.
Em todo o mundo, o dia de homenagear as mulheres se comemora em 08 de março, esse dia foi escolhido pela data histórica quando ocorreu uma grande manifestação com noventa mil mulheres indo às ruas contra a fome e a guerra no ano de 1917, esse movimento chamado de “Paz e Pão” foi um dos primeiros movimentos que dariam posteriormente na famosa revolução Russa, vale ressaltar que o pais vivia com muitos problemas sociais por conta da guerra. Esse dia ficou conhecido como o Dia da Mulher Heróica Trabalhadora.
Apesar da luta das mulheres vir de séculos passados, foi no século XX que a luta por direitos iguais faz explodir grandes movimentos de mulheres em todo o mundo, uma das principais foi a passeata que aconteceu na cidade de Nova York, Estados Unidos, quando 15 mil mulheres protestaram sobre as duras condições de trabalho com jornada de até 16 hora por dia, 6 horas por semana. Nesse contexto, também acontece o famoso incêndio em uma companhia quando morreram 147 pessoas onde 125 delas eram mulheres. Apesar de se tratar de um incêndio considerado acidental, esse evento demonstrou as péssimas condições a que as operárias eram submetidos na época.
A ideia do dia internacional da Mulher nasceu na Segunda Conferência Internacional das mulheres Socialistas que ocorreu na Dinamarca em 1910, quando 100 mulheres de vários países discutiram os problemas que envolviam as mulheres, nessa conferência é lançada a proposta de haver um dia do ano em que fosse debatida a condição das mulheres e suas demandas.
Na contemporaneidade, é consenso para as mulheres mais politizadas e atuantes, que enquanto o patriarcado tenta continuar submetendo às mulheres a um papel menor na sociedade, as lutas feministas não devem sair de pauta. No Brasil, às mulheres ainda são minorias em espaços de poder, recebem salários mais baixos que os homens mesmo exercendo o mesmo cargo e sendo maioria nas universidades, ou seja, mais instruídas, lembrando que as mulheres negras são em maioria chefes de famílias e ainda ocupam o último lugar na pirâmide social, fato que ressalta o racismo além do gênero, como um impeditivo de melhorias de condições de vida no país. Vale atentar que a igualdade entre os gêneros continua sendo um objetivo a ser alcançado.
Com o avanço das narrativas conservadoras em todo o mundo, aparece um discurso público ante feminista que vem ganhando força, sobretudo na internet, mas é importante pensarmos nas mulheres que estão ocupando espaços de decisão em nossa sociedade. Aqui destaca-se o nome da petista, Gleise Roffmam, que recentemente foi elevada ao posto de Ministra Chefe das Relações Institucionais, também em cago de poder no mundo, a ex-presidenta, Dilma Russef, que também ocupa o cargo de Presidenta do Brics, reconduzida ao segundo mandato nesse ano.
A nível municipal, na cidade Bom Jesus da Lapa, a Câmara de Vereadores tem duas cadeiras ocupadas por mulheres, Dona Maria Leles com vários mandatos anteriores e uma história de grande contribuição na política local, e a combativa Juliana Vaz, representante quilombola com grande atuação em movimentos sociais no município e também no estado da Bahia; em cargos executivos, destaca-se a presença de Andreia Leite, Secretária de Educação com grande contribuição à educação local e Andreia do João Paulo II, com representatividade na política de assistência Social, também vereadora licenciada.
Além desse nomes da atualidade, também participaram das decisões municipais muitas mulheres ao decorrer dos anos, seja em cargos legislativos ou executivos, essas mulheres fazem parte da história da nossa sociedade em espaço de decisões, é importante lembrar, que independente de qual posição ocupa, as mulheres são a maioria na sociedade; ela é quem primeiro sofre com a desigualdade entre os gêneros e sempre fica com o papel de educar, alimentar e cuidar, por esse motivo, o dia 08 de março não pode ser reduzido a uma data comemorativa, é preciso que esse dia seja de luta, como sempre foi e que o avanço do conservadorismo que já se coloca como tendência do momento não interrompa a emancipação das mulheres em todo o mundo. Como diz uma frase conhecida: “ Metade do mundo são mulheres. A outra metade, os filhos delas”.


