Tamíris Rodrigues Silva tem atuação social e política como agente de vanguarda que extrapola a delimitação imposta pelo sistema de cotas
O mês das mulheres ficou para trás e as homenagens de ocasião só vão acontecer no ano que vem, entretanto, a luta delas para se afirmarem na sociedade, vencerem nos estudos e no trabalho, é uma constante sendo preciso o enfrentamento de muitos obstáculos, sendo um deles o preconceito que continua latente.
Quando se fala em mulher preta tudo fica mais complicado, uma vez que o enfrentamento às vicissitudes parece dobrar em seus múltiplos aspectos, entretanto, há mulheres que se vestem com a armadura do empoderamento e como verdadeiras guerreiras vão à luta mesmo em muitas situações, “comendo o pão que o diabo amassou”.
O exemplo da jovem bacharelada em Direito, mestra em Educação e Linguagem, pela Uneb, e empresária, Tamiris Rodrigues Silva, mulher preta, empreendedora e agente de transformação, cabe perfeitamente na moldura na parede dessa galeria de mulheres aguerridas e prontas para se posicionar à frente das trincheiras em defesa daquelas que as representam.
Hoje ela é a protagonista de uma empresa especializada em estética para mulheres de origem africana, como ela mesmo diz: “com raízes firmes na luta por autonomia feminina e racial”, tendo como exemplo seu trabalho à frente da Thamys Black, loja especializada em cabelos afro e identidades, uma das mais populares em Guanambi, com uma extensão em Bom Jesus da Lapa, sua cidade natal.
Ela também atua como palestrante nas comunidades de Guanambi e região com temáticas de questão racial, empoderamento feminino, representatividade e educação, dialogando com diferentes públicos em escolas, universidades, espaços culturais e instituições públicas. “O meu trabalho com formação em tranças afro é um dos exemplos dessa atuação: uma ação que alia ancestralidade, autonomia econômica e fortalecimento da autoestima de mulheres negras”, afirma.
“As tranças são mais do que um penteado: são códigos de resistência, espiritualidade, pertencimento e identidade”, explicando ainda que, durante séculos, mulheres negras trançaram suas histórias, suas dores e suas estratégias de liberdade. Em tempos de escravidão, as tranças foram mapas de fuga. Hoje, elas são expressão de beleza, ancestralidade e cultura viva.
Note-se que o trabalho de Tamiris não se limita apenas ao seu bel prazer, sua ascensão como empresária, porém, ela encontra tempo para fazer jus ao papel assumido na sociedade como agente proativa de afirmação, com um belo trabalho social no assentamento Curicaca, em Bom Jesus da Lapa, que foi o foco principal do seu projeto em Educação e Linguagem, defendido na Uneb.
Na comunidade onde foi professora do Topa (Todos Pela Alfabetização), a jovem ativista retornou para exercer o papel de agente transformadora na conscientização das mulheres, encorajando-as a enfrentar no dia a dia as adversidades, sobretudo buscando a formação básica ou mesmo média e superior a começar pelos períodos iniciais da Educação de Jovens e Adultos.
Associada às técnicas da arte da trança afro, a jovem inclui um verdadeiro balaio de encorajamento, que faz com que as mulheres voltem para casa com um belo sorriso além das tão admiradas tranças a balançar, que encantam a todos aqueles que amam a beleza feminina. “Ensinar a arte de trançar é ensinar história. É devolver às mulheres o direito de se reconhecerem em sua estética, sua força e sua trajetória. É fazer da arte um instrumento de transformação social”, determina Tamíris.
Tamíris Rodrigues Silva não quer ficar estacionada a contemplar suas conquistas, ela quer muito mais e isso inclui sua comunidade, razão pela qual costuma participar de eventos como, palestras, seminários ou encontros, sendo como convidada a compor a bancada das discussões ou mesmo como simples audiência, o que para ela é engrandecedor e uma honra.
Humilde, a empresária deseja ampliar o leque de sua participação como agente capaz de interferir positivamente no destino das mulheres, como já fez a muitas delas que agradecem por haverem a encontrado na vida, desta forma, planeja com tranquilidade os passos futuros, com a certeza de que a vontade é a maior arma que uma pessoa possui para alcançar seus objetivos.
Tanto empenho e sucesso da empresária que se orgulha da sua compreensão dos conceitos do que se chama “consciência negra”, ancora-se nos seus estudos e nas observações do que ocorre à sua volta, a partir de suas percepções ela delimita os próximos passos e isso se chama história.
“Me perguntaram porque sou diferente. Eu perguntei o que é ser Normal. Como não encontraram uma resposta objetiva para a minha pergunta, achei melhor
compreender que ninguém é igual a ninguém e se fosse para sermos iguais, então não existiria tantas tribos, línguas e nações tão diferentes. Cuidado com o que fala para o outro, pois você não sabe o que ele já passou para estar aqui”, ensina. Tamíris.



