Revitalização da Hidrovia é um projeto que visa incrementar o transporte modal
O Ministério de Portos e Aeroportos autorizou a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) a realizar estudos técnicos, ambientais e econômicos com o objetivo de reativar a hidrovia do Rio São Francisco (HN-500). A autorização foi publicada nesta quinta-feira (21) em portaria assinada pelo ministro Silvio Costa Filho.
A medida permite que a Codeba avalie a viabilidade da retomada da operação da hidrovia, que abrange cerca de 2.354 km e atravessa estados como Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Alagoas, Goiás e o Distrito Federal. Os estudos não obrigam o governo a realizar licitação nem garantem ressarcimento pelos custos, mas servirão como base para eventuais concessões da infraestrutura.
A revitalização da Hidrovia do São Francisco é um projeto complexo e de longa data, que busca restaurar a navegação comercial no rio, inativa há mais de 14 anos, e fortalecer a logística de transporte de cargas no país. O projeto é visto como uma alternativa mais econômica e sustentável ao transporte rodoviário, que hoje concentra a maior parte da matriz de transporte brasileira.
O projeto é dividido em etapas e tem como objetivo principal conectar o Sudeste ao Nordeste do Brasil, facilitando o escoamento de produtos como grãos (milho, soja), algodão, fertilizantes, alimentos, minerais e outros insumos agrícolas.
Vantagens e Benefícios
Viabilidade Econômica: Especialistas confirmam que a reativação da hidrovia é economicamente viável. Uma única barcaça pode transportar o equivalente a 35 carretas, o que reduz consideravelmente os custos de frete.
Sustentabilidade Ambiental: O transporte hidroviário é significativamente menos poluente do que o rodoviário. Estima-se que a emissão de poluentes seja quatro vezes menor, contribuindo para a redução da pegada de carbono do setor de transportes.
Integração Intermodal: O projeto prevê a conexão da hidrovia com outros modais, como ferrovias e rodovias. Por exemplo, em Ibotirama (BA), as cargas chegarão por via terrestre de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães e seguirão pela hidrovia até Juazeiro, de onde podem ser levadas para os portos de Aratu-Candeias e Ilhéus.
Desenvolvimento Regional: A revitalização da hidrovia pode impulsionar o turismo e o aquecimento da economia nos municípios ribeirinhos, criando novas oportunidades de negócios e emprego.
Etapas do Projeto
O projeto é ambicioso e foi dividido em três etapas, cada uma com objetivos específicos:
Primeira etapa: Focada na ligação entre Ibotirama e Juazeiro, na Bahia. Essa fase já está em andamento, com a previsão de construção de novas instalações portuárias.
Segunda etapa: Consistirá na ligação entre Ibotirama e Petrolina (PE), com a construção de novas instalações portuárias em ambos os municípios.
Terceira etapa: Aumentará a extensão da hidrovia em 670 quilômetros, ligando as cidades de Bom Jesus da Lapa e Carinhanha (BA) até Pirapora (MG).
Para viabilizar a hidrovia, o projeto inclui ações como dragagem para garantir a profundidade mínima para a navegação, sinalização e manutenção do calado.
Desafios e Próximos Passos
Apesar do otimismo, o sucesso do projeto depende da articulação entre o governo federal, estados e municípios, além da participação da iniciativa privada. O Ministério de Portos e Aeroportos autorizou estudos de viabilidade para a exploração privada da hidrovia e a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) assumiu a gestão do projeto, antes sob responsabilidade do DNIT. A previsão é de que os editais para a construção de algumas instalações portuárias sejam publicados em setembro de 2025, com o início das obras em janeiro de 2026.
A retomada da navegação no Rio São Francisco é um passo crucial para diversificar a matriz de transporte brasileira, tornando-a mais eficiente, sustentável e competitiva no cenário global.



