O pedetista afirmou à CNN que “em nenhuma hipótese” cogitou abandonar a candidatura ao Planalto e se disse manter o seu projeto. “Eu confio no povo brasileiro, sou um velho ganhador de eleições”, comentou.
“Eu não desisti da minha pré-candidatura. Eu suspendi, como um ato de luta. Porque eu não posso tomar bola nas costas”, disse. O apoio de parlamentares pedetistas foi considerado determinante para a aprovação da PEC em primeiro turno, já que o placar foi apertado.
O presidenciável repetiu que a justificativa dada por parte da bancada para dar aval ao projeto foi na intenção de “diminuir os danos, dado que o fato era consumado” e disse ter ouvido dos colegas de partido o discurso de que não se pode fazer uma oposição irresponsável.
O entendimento foi o de que a viabilização do valor de R$ 400 para o Auxílio Brasil seria justificativa para dar sim ao projeto do governo, que permite a expansão de despesas públicas, ao driblar o teto de gastos.
“Quando se viu, a surpresa desagradável, foi que os votos dados significaram a verdadeira vitória da coisa. Isso é intolerável. Um partido como o nosso não pode dar mensagens dúbias. Nós movemos uma oposição intransigente ao governo corrupto, genocida, incompetente e trágico do senhor Jair Messias Bolsonaro”, disse Ciro.
Na semana passada, o apoio de deputados dissidentes da oposição, principalmente do PDT e PSB, foi crucial para a vitória de margem estreita para o Palácio do Planalto na votação da medida.
Logo após a votação em primeiro turno, Ciro afirmou ter suspendido sua candidatura a presidente da República após a ação da sua bancada na Câmara.
A cúpula do partido então atuou para reverter o apoio dos deputados à PEC, que é vista como uma medida de fortalecimento da campanha do presidente Jair Bolsonaro à reeleição.
A pressão deu resultado. Na bancada do PDT, 11 deputados mudaram de voto, e passaram a se posicionar contra a PEC no segundo turno da votação, nesta terça. Ainda assim, cinco parlamentares da legenda marcaram sim à proposta. A expectativa na sigla é que esse grupo se desfilie até o ano que vem.
O presidenciável Ciro Gomes (PDT) anunciou nesta quarta-feira (10) a retomada de sua pré-candidatura à Presidência em 2022, que foi suspensa na semana passada após a crise aberta pelos votos favoráveis de deputados federais de seu partido à PEC dos Precatórios.
“Estou de volta, sim. Eu volto à luta porque o meu partido, os companheiros da bancada, me deram um sinal muito generoso e corajoso. Só fazem esse tipo de gesto aqueles que têm compostura”, afirmou Ciro em entrevista à CNN Brasil.
A decisão veio um dia depois do recuo da bancada do partido, que no segundo turno da votação da PEC, nesta terça-feira (9), orientou voto contrário à medida de interesse do governo Jair Bolsonaro (sem partido).
A mais recente pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial, de setembro, mostra Ciro com 9% das intenções de voto no primeiro turno em um cenário liderado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 44%, seguido de Bolsonaro, com 26%. João Doria (PSDB) tem 4% e Luiz Henrique Mandetta (DEM), 3%.
Joelmir Tavares / Folha de São Paulo


