segunda-feira, novembro 2, 2026

Fala preconceituosa de Arthur Maia sobre Fábio Nunes chama atenção em duas entrevistas

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O deputado federal, Arthur Maia (UB), concedeu entrevista aos jornalistas Ailton Alegria e Fernando Abreu, no podcast PodDeles, na sexta-feira, e no sábado, 2, na Rádio Bom Jesus FM, também sob o comando de Aílton Alegria. O que chamou a atenção foram uma costumeira eloquência e conhecimento político do deputado, porém, na pauta esteve presente uma profunda deselegância, além de um preconceito notório para com o atual prefeito de Bom Jesus da Lapa, Fábio Nunes (PT).

Arthur Maia afirmou durante as entrevistas que não estava ali para falar mal de ninguém, no entanto, suas falas relacionadas a Fábio Nunes estiveram carregadas de preconceito, subentendendo até mesmo, um certo “bulling”, o que não combina com um deputado egresso de uma família tradicional da Bahia, nascido em Salvador, bem educado, porém que iniciou sua carreira política ainda muito jovem sob a tutela de Nilo Coelho, que herdara o governo de Waldir Pires quando foi seu vice.

Note-se também, que Arthur Maia ganhou a prefeitura de Bom Jesus da Lapa de mãos beijadas em 1992, graças à construção da ponte sobre o Rio São Francisco, com o apoio de Nilo Coelho e com a união de dezenas de personalidades da cidade que desejavam mudanças, inclusive com financiamento de campanha por cidadãos locais.

Então eleito, Arthur Maia fez um grande trabalho, valorizou os servidores e conseguiu eleger seu escolhido, Dr. Nilzo Maciel. Mais adiante, como vice do seu irmão, Roberto Maia, obteve mais uma vez a vitória; e Roberto realizou duas grandes gestões, sendo que no segundo mandato já não precisou ter o irmão como vice, já que as negociações com o PT permitiram que Hildebando Ferreira fosse o indicado.

Comentários de Arthur nas entrevistas foram muito constrangedores, fazendo com que os observadores atentos não entendessem que as críticas não eram ao trabalho do prefeito, porém, à pessoa de Fábio, um negro, de origem humilde e que entrou na política por fidelidade, sendo escolhido a ser sucessor de Eures Ribeiro (PSD) exatamente por ser fiel ao ex- parceiro político.

A fidelidade a Eures com ressalvas e resistências nos poucos mais de três anos de gestão continuou, sendo que a decisão de rompimento foi do próprio deputado estadual, que de certa forma, começou a subestimar Fábio, e, na ambição dele (Eures) de continuar com seus intentos de avanço político, se lançou pré-candidato a prefeito, dividindo assim o grupo, percebendo que o prefeito atual não abriria mão de disputar a reeleição.

Francamente, a atitude e posicionamento de Fábio Nunes são de grandeza e dignidade, sabendo-se que em política os adversários constantemente tentam desconstruir uma imagem e minimizar o trabalho de quem está no poder. Quem não se lembra de que entre 2005 a 2011, Eures Ribeiro alugou uma rádio com o dinheiro da Câmara Municipal exclusivamente para desconstruir as gestões de Roberto Maia à exaustão? Isso na boca do povo soava como uma péssima gestão. Mesmo assim, Roberto ganhou do atual deputado estadual.

Arthur Maia deve desculpas a Fábio Nunes devido não às críticas ao seu trabalho, porém, em razão do tom que o deputado imprimiu na sua fala, em um tempo quando as autoridades como ele (Arthur) precisam ter um comprometimento com a defesa das minorias da qual o prefeito faz parte, como ex-mototaxista, ex-motorista e negro que ocupa um cargo que merece todo respeito, pelo qual obteve 21.739 votos, ou seja, 61,72% do total nas eleições de 2020.

Cabe a Fábio Nunes também demonstrar sua altivez e provar para Arthur Maia e para a sociedade que não é nenhum “moleque”, como Arthur Maia quis dizer em todos os comentários relacionados ao prefeito. Mostrar as dezenas de obras que inaugurou na sua gestão, a qual, francamente, tem sido muito mais humanitária do que as duas de Eures Ribeiro, com a valorização das categorias.

É de se acreditar que Fábio Nunes, se conseguir ser reeleito com o apoio do governo da Bahia, que prefere confiar nele e não em Eures Ribeiro ou Arthur Maia, poderá realizar uma segunda grande gestão para fazer o que Eures não fez, ou seja, obras que não precisem de reformas constantes, concurso público dentre outras questões.

Em linhas gerais, Arthur Maia, que não se envolveu muito com as últimas eleições em Bom Jesus da Lapa, sentiu ser ligado seu sinal de alerta. Ele parece se envolver no processo porque vê Eures Ribeiro avançando e querendo ser deputado federal, o que seria muito ruim para um deputado que já tem quatro mandatos no Congresso Nacional, e mesmo com sua popularidade, corre o risco de perder espaço na região, mesmo porque, sempre há um desgaste natural.

Claro que a preocupação de Arthur não é ver Fábio Nunes reeleito, porém, ver Eures de volta à Prefeitura, que ficaria dois anos e em seguida renunciaria para seu vice assumir e ele disputar a eleição para federal, depois de fatiar a Prefeitura e distribuir dinheiro a outros políticos da região para obter votos para federal. É que no fundo, Eures não usa Bom Jesus da Lapa pelo bem da população, mas, como trampolim de suas ambições imperialistas.

Em seu intuito, incorporando um césar, Eures tem um histórico de traições. O bom observador percebe isso quando se reporta ao abandono dele ao prefeito Ítalo, de Serra do Ramalho, que ele ajudou a eleger, e agora a Fábio Nunes que foi fundamental na eleição para deputado estadual.

O fato é que a cada temporada política, o grupo de Eures nunca é mais o mesmo, o que está acontecendo agora, porque este é seu estilo, o de extrair o máximo das pessoas e depois dispensá-las como se faz com o bagaço da laranja.

No fundo, Arthur Maia precisa se preocupar mais com Eures Ribeiro do que com Fábio Nunes, considerando-se que os Maia criaram cobra para picá-los, sendo que descobriram isso muito cedo, mas não trouxeram o antídoto para a Lapa, assistindo de camarote o que aconteceu nos últimos anos.

A próxima eleição provavelmente não será polarizada, com pelo menos três candidaturas fortes, então, que ninguém cante vitória antes do tempo, tampouco se iluda com aqueles que proferem o nome de Deus em vão para ganhar votos, por isso, parafraseando o adágio popular, os últimos podem ser os primeiros.

Em Bom Jesus da Lapa e região.

Emanoel Virgino

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