segunda-feira, junho 8, 2026

Hidrovias do São Francisco e do Parnaíba têm projetos para ampliar transporte de cargas no Nordeste

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As hidrovias do São Francisco e do Parnaíba contam com projetos de revitalização voltados à ampliação da logística de transportes no Nordeste. As iniciativas têm como objetivo reduzir custos, diversificar a matriz de transporte brasileira e fortalecer o escoamento da produção regional por vias fluviais.

No caso do Rio São Francisco, a retomada da navegação comercial é considerada uma das ações para ampliar a integração logística entre o Sudeste e o Nordeste. Com cerca de 2,8 mil quilômetros de extensão, o rio tem potencial para voltar a operar como corredor de transporte de cargas em uma área que envolve municípios de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe.

Segundo o presidente da Autoridade Portuária Federal, a Codeba, Antonio Gobbo, a Hidrovia do São Francisco é uma alternativa econômica e sustentável para a ligação entre o Centro-Sul e o Nordeste.

“A Hidrovia do São Francisco é a via mais econômica, eficiente e sustentável de ligação entre o Centro-Sul e o Nordeste do Brasil. A retomada de suas operações vai permitir a integração econômica de 505 municípios localizados nos estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe, fortalecendo o escoamento da produção e beneficiando mais de 11,4 milhões de pessoas”, afirmou.

O projeto da Nova Hidrovia do São Francisco prevê a reativação da navegação comercial em 1.371 quilômetros navegáveis, no trecho entre Pirapora, em Minas Gerais, e Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. A coordenação é da Codeba, com expectativa de movimentação de até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação.

A reativação envolve estudos técnicos, regularização documental de embarcações junto aos órgãos competentes, planejamento da navegação, captação de investimentos em infraestrutura hidroviária e identificação de novas oportunidades de negócios.

Os estudos de modelagem econômica em andamento contam com participação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e da Marinha do Brasil. De acordo com as estimativas do projeto, um único comboio hidroviário pode substituir até 163 carretas nas rodovias, com potencial para reduzir custos logísticos, emissões e congestionamentos.

A proposta também prevê integração da hidrovia com malhas ferroviária, rodoviária e portuária. Entre as conexões previstas estão a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto de Aratu, na Bahia. A estrutura deve atender ao transporte de insumos agrícolas, grãos, minérios, gesso, calcário, bebidas e sal.

Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Otto Luiz Burlier, a iniciativa representa uma mudança na logística de cargas no país.

“A Nova Hidrovia do São Francisco representa avanço para a logística nacional, promovendo um transporte mais limpo, eficiente e competitivo, além de ampliar a movimentação de cargas entre os estados nordestinos”, destacou.

A Hidrovia do Parnaíba também passa por processo de estruturação. Com 1.344 quilômetros de extensão, ela abrange os rios Parnaíba e Balsas, atravessando Maranhão, Piauí e Ceará, com atendimento a 54 municípios. A via tem potencial para o escoamento da produção agrícola do Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Em maio de 2025, o Governo Federal delegou a gestão da hidrovia ao Governo do Piauí. De acordo com as informações divulgadas, foi a primeira transferência desse tipo realizada no país. A medida deve permitir a recuperação da navegabilidade do rio e a modernização da infraestrutura hidroviária, sob coordenação da Companhia Porto Piauí.

Pelos estudos e obras preparatórias em andamento, quando estiver totalmente operacional, a Hidrovia do Parnaíba permitirá a navegação de embarcações com capacidade para transportar até 2,1 mil toneladas de grãos por viagem. O volume equivale a cerca de 50 caminhões bitrem.

A previsão é de que, em até três anos após o início das operações, a hidrovia movimente entre quatro e cinco milhões de toneladas de grãos por ano. O projeto também busca reduzir a dependência do transporte rodoviário, ampliar a integração com o Porto Piauí, gerar empregos, atrair investimentos e aumentar a competitividade da produção regional.

“Essas ações permitem que a navegação ocorra de forma contínua, fortalecendo rotas estratégicas para o transporte de mercadorias e ampliando a segurança de quem utiliza as hidrovias”, concluiu Otto Luiz Burlier.

Agência Sertão

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