Domínio masculino na cúpula das big techs cria o risco de algoritmos “cegos” para as consumidoras que mais movimentam a economia digital
Mulheres lideram 60% do e-commerce, mas ocupam só 4,7% da chefia de IA no Brasil
Domínio masculino na cúpula das big techs cria o risco de algoritmos “cegos” para as consumidoras que mais movimentam a economia digital.
Pouca presença feminina no topo do desenvolvimento de IA coloca em risco a criação de sistemas eficientesMulheres comandam apenas 4,7% dos cargos de liderança em Inteligência Artificial no Brasil, escancarando o domínio masculino no topo de um setor que desenha o futuro do país. Essa bolha executiva contrasta diretamente com o consumo real: o público feminino lidera 60,1% das transações do e-commerce brasileiro (compra e venda), contra 53,2% dos homens. O resultado é o risco iminente de criar robôs e algoritmos cegos para quem mais movimenta a economia online.
Segundo pesquisa inédita do LinkedIn realizada em 27 países, a presença feminina no topo da IA no Brasil (4,7%) é quase três vezes menor que a média global (13,3%).Diversidade executiva no Brasil fica atrás da média global. O gargalo não está na atração de talentos, mas na retenção. Nas vagas operacionais e intermediárias da tecnologia no Brasil, elas representam 22,1% dos profissionais.A perda de 17,4 pontos percentuais no caminho para a diretoria revela um funil invisível que trava a ascensão feminina.
Lideranças globais de IA: 13,3% são mulheres
Lideranças brasileiras de IA: 4,7% são mulheres
Base operacional de IA no Brasil: 22,1% são mulheresGargalo de ascensão trava mulheres na liderança de IA. Três fatores explicam essa estagnação. O comando sobre investimentos, estratégias e novos algoritmos de inteligência artificial continua majoritariamente masculino, o que mantém homens no centro das decisões que definem os rumos do setor.
A desigualdade também aparece dentro das empresas. Barreiras invisíveis, conhecidas como glass ceiling, dificultam a promoção de profissionais qualificadas para cargos de gerência e diretoria, mesmo quando possuem experiência técnica para assumir essas posições.
Fora das companhias, o cenário se repete. Redes de influência e o acesso ao capital de risco ainda oferecem menos espaço para mulheres na liderança da IA, ampliando a distância até os postos mais altos do mercado.
Mulheres comandam 60,1% das compras no e-commerce
O apagão de executivas ganha contornos mais graves diante dos dados do Relatório de Identidade e Fraude 2025 da Serasa Experian, que mostra um país onde 82% da população faz compras online mensalmente.
Desenvolver sistemas de segurança e algoritmos de vendas sem a presença de quem consome e decide compras cria robôs com vieses estruturais.
Para estancar essa sangria de talentos, o estudo W-Tech 2025, do Observatório Softex, aponta a necessidade urgente de metas transparentes de promoção, aceleração de carreiras e combate aos vieses nas seleções executivas.
“A diversidade é a força que impulsiona o futuro do nosso setor. Não basta falar em inovação sem falar em inclusão. Precisamos de políticas permanentes, métricas claras e comprometimento real de todos os atores (governo, empresas e academia) para garantir que as mulheres estejam no centro da transformação digital brasileira”, afirma Rayanny Nunes, Coordenadora de Inteligência e Design de Soluções da Softex.
Mapeamento analisou líderes de IA em 27 países
Um mapeamento detalhado de perfis no LinkedIn analisou profissionais de 27 países para traçar um panorama global sobre quem ocupa os postos de comando da inteligência artificial. O levantamento considerou exclusivamente cargos de alta liderança, como C-level, diretoria e vice-presidência, com responsabilidade direta pelo desenvolvimento, pela gestão e pelos produtos baseados em IA.
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