O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a colocar o fim da escala de trabalho 6×1 no centro do debate eleitoral nesta terça-feira, 6. Em meio à discussão da proposta no Senado, o petista afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa presidencial, terá de se posicionar sobre a votação.
Para Lula, a análise da proposta no Congresso deverá revelar quais parlamentares defendem a redução da jornada sem diminuição dos salários. O presidente também afirmou que o PL estaria tentando dificultar a apreciação da PEC. “O dia de hoje é importante pelo seguinte: porque o meu adversário, ele vai ter que tomar uma decisão. Se ele vai mandar a bancada do partido dele votar favorável ao fim da jornada de trabalho 6×1 ou vai aprovar uma nova escala”, disse Lula.
A proposta em discussão estabelece limite de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, sem redução salarial. O texto começou a ser discutido nesta terça-feira pelo plenário do Senado Federal. Lula afirmou ainda confiar na votação da matéria e na posição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. “Eu estou confiante que o Alcolumbre vai colocar em votação. Estou confiando que o Senado vai repetir a decisão que já foi tomada pela Câmara e estou confiante que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não votar a favor do fim dessa escala”, disse Lula.
Divergência entre Lula e Flávio
Ao defender a mudança, Lula voltou a criticar publicamente a posição de Flávio Bolsonaro sobre a jornada de trabalho. Segundo o presidente, o candidato do PL é contrário ao modelo proposto e defende uma alternativa baseada na negociação da carga horária entre empregado e empregador.
“Já Flávio Bolsonaro é contra. Para ele, quem trabalhar menos tem que ganhar menos. Queria ver ele explicar para uma mãe de família qual conta ela deixa de pagar para poder descansar. A comida? A luz? O aluguel? Quem vive de salário sabe que isso não é escolha”, disse Lula.
Em uma publicação nas redes sociais, Lula defendeu uma rotina de cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, sem redução salarial. Ele também afirmou que a votação poderá mostrar a posição de cada grupo político sobre o tema. “Na hora que o Senado começa a votar a máscara vai começar a cair. A gente vai ver quem, efetivamente, quer que o povo tenha uma vida mais digna, que descanse mais, que possa cuidar mais da família, ou se vai estabelecer essa jornada em que as pessoas só têm um dia para descansar”, afirmou.
O presidente classificou a votação como um “primeiro teste” para o PL e afirmou que a sociedade poderá identificar “quem é quem” na política a partir da posição adotada diante da PEC.
O que defende Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro já havia se manifestado contra o fim da escala 6×1 nos moldes propostos pelo Congresso. A alternativa defendida pelo candidato é permitir que o trabalhador tenha liberdade para definir a própria carga horária em negociação com o empregador. A proposta também poderia resultar em redução salarial nos casos em que houvesse diminuição da jornada.
Em agosto, durante um encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Flávio apresentou a possibilidade de o trabalhador escolher a própria carga horária como alternativa à extinção da escala 6×1.
Questionado novamente sobre o assunto nesta terça-feira, o candidato citou especificamente o caso de mães que não conseguem cumprir uma jornada de oito horas por dia por não terem com quem deixar os filhos. “Eu tenho uma proposta infinitamente melhor do que essa proposta que está na mesa, que é dar liberdade para que o trabalhador escolha a sua própria carga horária. Tem muitas mães, por exemplo, que não conseguem trabalhar oito horas por dia porque não têm como deixar seus filhos”, disse.
Segundo Flávio, seu projeto permitiria que essas trabalhadoras definissem a jornada de acordo com as próprias necessidades. Ele também afirmou que pretende oferecer um voucher para pagamento de creche privada nos casos em que não houver vaga disponível na rede pública.
Congresso discute proposta durante segundo turno
A discussão sobre a jornada acontece simultaneamente à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro pelo segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%.
A divergência sobre a escala 6×1, porém, antecede a atual fase da eleição. Em agosto, a coordenação da campanha de Flávio tentou impedir que a PEC fosse votada durante o período eleitoral. A avaliação do PL naquele momento era de que uma mudança dessa dimensão deveria passar por uma discussão mais aprofundada e ser analisada somente depois das eleições.
Agora, integrantes do PL e do Republicanos devem se reunir nesta quarta-feira, 7, para definir uma estratégia em relação à votação da proposta. Entre os governistas, a estratégia é tentar aprovar o texto em dois turnos antes do segundo turno e expor integrantes da oposição que eventualmente tentem evitar a apreciação da medida.


